Feminicídio: Até Quando, Governador Eduardo Leite?
Até Quando Vão Matar Mulheres no RS e o Estado vai se omitir achando que suas políticas salvam enquanto deixa de assinar o Pacto Nacional Contra o Feminicídio?
O Rio Grande do Sul segue assistindo, estarrecido — e perigosamente acostumado — à escalada dos feminicídios, são 17 em menos de 60 dias. A cada nova vítima, repete-se o ritual: notas de pesar, promessas de reforço nas políticas públicas e discursos que insistem em dizer que o Estado está fazendo à sua parte. Mas a pergunta que ecoa nas casas, nas ruas e nos movimentos de mulheres é simples e brutal: se está funcionando, por que nós continuamos morrendo?
Os números não são apenas estatísticas frias. Eles têm nome, rosto, história interrompida. Cada feminicídio é a falha concreta de uma rede que deveria proteger — e não apenas reagir depois da tragédia consumada. No entanto, o governo do Estado do Rio Grande do Sul mantém a decisão de não aderir ao Pacto Nacional Contra o Feminicídio, uma política que busca justamente integrar esforços, ampliar recursos e padronizar ações de prevenção e enfrentamento à violência de gênero.
A recusa em assinar o pacto transmite um sinal político preocupante, cruel e eleitoral. Em um cenário de emergência permanente, a opção do governador Eduardo Leite, por caminhar sozinho não parece gesto de autonomia administrativa — soa como isolamento institucional. O enfrentamento ao feminicídio exige articulação federativa, investimento contínuo e, sobretudo, humildade para reconhecer que nenhuma política é suficiente quando mulheres seguem sendo assassinadas dentro de casa, por parceiros ou ex-companheiros, muitas vezes mesmo após medidas protetivas.
Há, sem dúvida, iniciativas importantes em andamento no estado. Profissionais comprometidos na segurança pública, na assistência social e no Judiciário trabalham diariamente para salvar vidas. Mas políticas públicas não podem ser avaliadas apenas pela existência — e sim pela eficácia. E a eficácia, neste caso, se mede em vidas preservadas.
Outro ponto que precisa ser dito sem rodeios: o feminicídio não é apenas um problema de segurança pública. É um fenômeno estrutural, alimentado por machismo, cultura de posse sobre o corpo feminino, falhas na proteção às vítimas e, muitas vezes, por uma burocracia que chega onde já é tarde demais. Quando o Estado se apoia excessivamente na narrativa de que “já existe o suficiente”, corre o risco de naturalizar o inaceitável.
A não adesão ao pacto nacional também tem peso simbólico. Em um país onde a violência de gênero é endêmica, gestos políticos importam. Eles sinalizam prioridade — ou a falta dela. Para familiares das vítimas e para mulheres que vivem sob ameaça, a mensagem que chega pode ser de descompasso entre a gravidade do problema e a urgência das respostas.
Até quando? Até quando Governador?
Até quando o Rio Grande do Sul vai contabilizar mortes enquanto insiste que suas políticas bastam? Até quando medidas protetivas serão pedaços de papel incapazes de conter agressores? Até quando a prevenção ficará sempre um passo atrás da violência?
Enfrentar o feminicídio exige mais do que defender o que já existe. Exige ampliar, integrar, corrigir rotas e, sobretudo, colocar a vida das mulheres no centro absoluto das decisões.
Porque cada mulher morta é um fracasso coletivo — mas, principalmente, uma responsabilidade do Estado que prometeu protegê-la.
Jeff Soares

Jornalismo
Músico
Apresentador do Aqui de Casa Podcast
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