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Olojá em São Joaquim: Quando o Mercado vira Terreiro e a Fé abre os caminhos de Salvador

5ª edição da Festa de Olojá!

Olojá em São Joaquim: Quando o Mercado vira Terreiro e a Fé abre os caminhos de Salvador
Foto: Thiago Costa

SALVADOR – Se você passou pela Feira de São Joaquim na última semana, especificamente no sábado (07), deve ter notado que o ar estava mais denso e não era apenas pelo mormaço típico da Cidade Baixa. Havia um toque de atabaque vibrando no peito e um cheiro de dendê fresco que parecia anunciar: o dono da casa chegou. A 5ª edição da Festa de Olojá não foi só um evento no calendário; foi uma ocupação mística que transformou o maior mercado popular da Bahia em um imenso terreiro a céu aberto.


Sob o comando do babalorixá Rychelmy Imbiriba, da Casa do Mensageiro, a celebração deste ano teve um sabor de conquista histórica. Pela primeira vez, o Olojá desfilou com o "RG" de Salvador, agora oficialmente parte do calendário da cidade. É a vitória do reconhecimento de que, em São Joaquim, a economia e o sagrado caminham de mãos dadas.


O Dono do Movimento

A manhã começou com aquele sol que só a Bahia tem, mas ninguém parecia se importar com o calor. O Cortejo de Exu arrastou uma multidão branca e colorida pelos corredores apertados, entre sacos de farinha e bacias de camarão. O contraste era poesia pura: o feirante que interrompia a venda para saudar o cortejo, o turista que esquecia a câmera e se deixava levar pelo ritmo, e os filhos de santo que, com pés no chão e cabeça erguida, reverenciavam o Senhor do Mercado.


"A feira é o lugar da troca, da palavra, do negócio. E nada disso acontece sem Exu", comentou um frequentador antigo, enquanto ajustava o chapéu para ver o cortejo passar. "Hoje a feira não vendeu só mercadoria, vendeu axé."


Um Xirê de Portas Abertas

A festa seguiu com o Xirê de Olojá, uma roda de cânticos que emocionou até quem estava ali só de passagem. Ver mais de 100 terreiros reunidos em um só espaço é um lembrete visual da força da nossa identidade. E como na Bahia o sagrado nunca anda desacompanhado de uma boa festa, a tarde caiu ao som do Palco Nagô, com afoxés e samba de roda que fizeram o asfalto da feira tremer.


Mais que Fé, um Motor Econômico

O apoio da Secretaria de Turismo (Setur-BA), através do projeto Agô Bahia, apenas confirmou o que os feirantes já sentiam no bolso: o Olojá é um gigante do afroturismo. Barracas lotadas, hotéis da região movimentados e uma energia que transbordou para além dos limites do mercado.


A 5ª edição se despediu com a sensação de dever cumprido e caminhos escancarados. Em Salvador, a gente sabe que o mercado tem dono e que a tradição é o que mantém a roda girando. Quem viveu o axé deste sábado já começou a contagem regressiva para 2027.


Laroyé, Olojá!





Vinicius Santana

Colunista

Apresentador 

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