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Ratinho é Acusado de Transfobia contra Erika Hilton e MPF pede Investigação

Um apresentador reincidente em polêmicas de mal gosto!

Ratinho é Acusado de Transfobia contra Erika Hilton e MPF pede Investigação
Montagem/Redes

O apresentador Carlos Massa (Ratinho), do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), tornou-se alvo de forte repercussão política e jurídica após declarações consideradas transfóbicas contra a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). O episódio ocorreu durante uma edição ao vivo do Programa do Ratinho, exibida em 11 de março de 2026. Durante o programa, Ratinho comentou a eleição de Erika Hilton para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Ao criticar a escolha, o apresentador questionou a identidade de gênero da parlamentar e afirmou que ela “não é mulher, é trans”, além de dizer que o cargo deveria ser ocupado por “uma mulher mesmo”.


As falas repercutiram imediatamente nas redes sociais e foram classificadas por parlamentares e entidades como transfóbicas. No Brasil, a transfobia é equiparada ao crime de racismo, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal.


Reação de Erika Hilton

Após a exibição do programa, Erika Hilton reagiu publicamente e afirmou que entraria com medidas judiciais contra o apresentador e contra a emissora. A deputada acionou o Ministério Público Federal (MPF) e pediu a abertura de investigação, além de uma indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos à população trans. Hilton também solicitou a suspensão do programa por 30 dias ao Ministério das Comunicações. Em declarações públicas, a parlamentar afirmou que as falas negaram sua identidade de gênero e reforçam discursos de exclusão contra pessoas trans.


Resposta do Ministério Público

O MPF ingressou na Justiça com uma ação civil contra Ratinho e o SBT, alegando que as declarações violaram direitos fundamentais e contribuíram para a disseminação de discriminação contra pessoas trans. Entre os pedidos do órgão estão: pagamento de R$ 10 milhões em danos morais coletivos, retirada do trecho do programa das plataformas da emissora e a retratação pública por parte do apresentador.



Foto: Agência Senado/Andressa Anholete


Posição do SBT

Em nota oficial, o SBT afirmou que repudia qualquer tipo de discriminação e declarou que as opiniões expressas pelo apresentador não representam o posicionamento institucional da emissora. A empresa informou ainda que analisaria internamente o caso. Após a repercussão, Erika Hilton também conversou com a presidente do SBT, Daniela Beyruti, para discutir possíveis medidas diante do episódio.


Debate Público

O caso reacendeu o debate sobre discursos de ódio e a responsabilidade de comunicadores na imprensa brasileira. Organizações de direitos humanos e movimentos sociais criticaram as declarações, enquanto apoiadores de Ratinho alegaram tratar-se de opinião política. A ação judicial segue em tramitação e pode resultar em indenizações e outras medidas legais caso a Justiça entenda que houve discriminação.


Reincidência

Não é a primeira vez que Ratinho passa dos limites com suas manifestações na TV, em episódio anterior, o apresentador foi acusado de racismo por Cíntia Mello, ex-bailarina do programa. Ela alegou ter sofrido racismo recreativo no programa e expôs ataques que sofreu após a judicialização do caso. Em outro caso, o apresentador foi condenado pela justiça de São Paulo a pagar indenização de R$ 30 mil reais a um jovem negro por falas que depreciavam sua aparência.


Opinião

As declarações do apresentador Ratinho contra a deputada Erika Hilton ultrapassam em muito o limite da opinião e entram no terreno perigoso da violência simbólica e da ilegalidade. Quando uma figura pública, com alcance nacional, utiliza seu espaço na televisão para negar a identidade de uma mulher trans e reproduzir discursos que historicamente alimentam o racismo e a transfobia, não se trata apenas de ignorância — trata-se de reforçar estruturas de discriminação que já custam vidas todos os dias no Brasil. A liberdade de expressão não pode ser confundida com licença para humilhar, desumanizar ou incentivar preconceitos contra grupos vulneráveis. Em um país onde pessoas trans estão entre as maiores vítimas de violência e onde o racismo segue estruturando desigualdades profundas, palavras ditas em rede nacional têm peso e consequência. Quando esse peso é usado para atacar dignidades, o debate deixa de ser midiático e passa a ser jurídico e moral. Além disso, espera-se que a Justiça faça sua parte e condene essas e quaisquer outras manifestações.






Jeff Soares

Jornalismo

Músico

Apresentador do Aqui de Casa Podcast


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