Assexybilidade
O direto de falar sobre a sexualidade no mundo das deficiências!
26/08/2024 18:25
| Atualizado há 1 ano atrás
O Globo Filmes produziu no ano passado "Assexybilidade", um longa-metragem documental brasileiro dirigido por Daniel Gonçalves, que traz histórias de pessoas com deficiência acerca da sexualidade e pluralidade de experiências, desmistificando o tabu do sexo e revelando a luta diária contra a invisibilidade e o preconceito contra a comunidade de pessoas com deficiência. A proposta do documentário é dar voz aos entrevistados e derrubar ideias capacitistas da sociedade sobre os desejos, vivências e liberdades dessa comunidade, trazendo conversas que vão desde flertes e beijos na boca e, claro, sexo.
Recentemente, o longa-metragem foi censurado pelo governo de SC na 1ª Amostra de Artes Inclusivas, trazendo mais uma exclusão da comunidade PCD dentro do assunto sexualidade. Nos foi negado mais uma vez o direito ao sentir, o direito a falar de sexo e a sexualidade livre. Lembrando que não é só a censura que precisa ser debatido, é preciso ressaltar que pessoas com deficiência são dez vezes mais vulneráveis ao abuso sexual, e isso se dá a falta de debates acerca da sexualidade, que ainda é visto como tabu e algo estranho quando é vindo de pessoas com deficiência, e por consequência não conseguem perceber quando estão sendo vítimas de abuso sexual por falta de conhecimento no assunto. Outro impacto na censura de falar sobre sexualidade das pessoas com deficiência se dá nas relações heterossexuais e homossexuais. Pessoa com deficiência também namora!

Além de ser importantíssimo falar sobre sexualidade e o impacto da censura, a Lei Brasileira de Inclusão - LBI (Lei 13.146/2015) tem como objetivo garantir os direitos e liberdades fundamentais das pessoas com deficiência em igualdade de condições com as demais pessoas, dentre elas o direto à sexualidade. A LBI também estabelece que é dever do Estado, da sociedade e da família assegurar a efetivação dos direitos das pessoas com deficiência. A falta de acesso à informação pode produzir preconceitos e estigmas que impedem a efetivação dos direitos sexuais garantidos pela LBI. Censurar pessoas com deficiência à vida sexual é desrespeitar seus direitos garantidos.
Por uma vida de sexualidade livre, plena e sem tabu às pessoas com deficiência!
porFernanda Caroline
Colunista


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