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Opinião: Até Quando Vamos Precisar Falar Sobre o Feminicídio?

RS registra o 22º caso em Camaquã em menos de 3 meses!

Opinião: Até Quando Vamos Precisar Falar Sobre o Feminicídio?
Imagem Internet/Pixabay

O Rio Grande do Sul voltou a registrar mais um caso de violência extrema contra mulheres durante o último final de semana. Com a confirmação de um novo assassinato motivado por violência de gênero, o estado chega ao 22º caso de feminicídio em 2026, um número que expõe uma realidade dolorosa e persistente: mulheres continuam sendo mortas simplesmente por serem mulheres. No entanto, autoridades estaduais continuam a negar a assinatura do Pacto Nacional Contra o Feminicídio.


O crime mais recente em Camaquã onde a vítima já possuía a medida protetiva se soma a uma sequência de episódios que chocam comunidades inteiras e reafirmam um debate que tão cedo não sairá da pauta pública. Cada novo caso traz consigo uma história interrompida, famílias devastadas e perguntas que seguem sem respostas suficientes. Afinal, até quando vamos precisar falar sobre feminicídio?


O feminicídio, tipificado no Brasil pela Lei do Feminicídio (Lei nº 13.104/2015), caracteriza o assassinato de mulheres por razões da condição de sexo feminino, geralmente ligado à violência doméstica, ao desprezo ou ao sentimento de posse sobre a vítima. Apesar da existência da lei e de políticas públicas voltadas à proteção das mulheres, os números ainda mostram que o problema está longe de ser resolvido.


Grande parte desses crimes acontece dentro de casa e é cometida por parceiros ou ex-parceiros. Muitos casos são precedidos por um histórico de ameaças, agressões físicas ou psicológicas e tentativas de controle da vida da vítima. Mesmo quando há denúncias e medidas protetivas, o sistema ainda continua falho em impedir o desfecho mais trágico. Por que este assassino não estava usando a tornozeleira se agora está na lei?


Precisamos parar de naturalizar o feminicídio! São 22 casos em menos de 3 meses de 2026! O machismo estrutural deve ser combatido diariamente e a desigualdade de poder nas relações somadas a dificuldade de acesso a redes de proteção, devem ser sanadas com urgência, para que essas histórias se repitam. Além disso, esse enfrentamento da violência de gênero deve ser contínuo, deve envolver a educação e efetivação de políticas públicas que visem a proteção real às vítimas e a punição rigorosa dos agressores.


Enquanto uma mulher ainda estiver em risco dentro da própria casa, o debate continuará sendo necessário. E talvez a pergunta do título desta matéria seja também um chamado coletivo à sociedade: até quando vamos apenas falar sobre feminicídio, em vez de finalmente impedir que ele aconteça?





Jeff Soares

Jornalismo

Músico

Apresentado do Aqui de Casa Podcast

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