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Misoginia no Brasil: Por Que a Falta de Lei Está Alimentando o Feminicídio

[...] já passou da hora de tratar isso como urgência política — não como debate de internet.

Misoginia no Brasil: Por Que a Falta de Lei Está Alimentando o Feminicídio
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Chega de tratar isso como um tema delicado. É um problema público, estrutural, e está matando mulheres. O Brasil está batendo recordes de feminicídio. Isso não é coincidência, não é um acaso isolado. É resultado direto de uma cultura que ainda permite o ódio contra mulheres existir sem consequência proporcional.


Hoje, misoginia não é tipificada como crime específico. Existe um projeto de lei, o PL 896/2023, que tenta mudar isso. Mas ele não vai avançar por boa vontade política. Ele só sai do papel com pressão popular real. Sem pressão, nada anda.


É preciso parar de romantizar essa discussão. Comportamento social não se sustenta apenas por consciência coletiva. O que impõe limite é consequência. É risco. É responsabilização. O racismo não deixou de existir, está longe disso. Mas quando virou crime, passou a existir limite. Não resolveu o problema, mas criou consequência. E é exatamente isso que falta quando se fala de misoginia.


Hoje, um homem pode dizer que mulher é inferior, pode defender violência, pode propagar discurso de ódio. Na maioria das vezes, isso não gera consequência concreta. Quando gera, cai em tipificações mais leves, insuficientes. Isso não protege ninguém. Isso não previne nada. Isso não muda comportamento. Sem uma lei clara, direta e com peso, o recado que fica é simples: pode continuar.


E estão continuando. Os números aumentam. A violência escala. As mortes seguem acontecendo. Isso não é sobre opinião. É sobre segurança pública. Misoginia não é “pensar diferente”. É a base que sustenta agressão, exclusão e feminicídio. Quando a raiz não é tratada como crime, o resto deixa de ser surpresa e passa a ser consequência previsível. Então é preciso ser objetivo: ou isso se torna crime com responsabilização real, ou vamos continuar enterrando mulheres. Não existe meio termo.


E a pressão popular não é um detalhe nesse processo. é o único caminho possível. é preciso cobrar deputados, exigir posicionamento, trazer o tema para o espaço público e não normalizar discurso misógino no cotidiano.


É assim que leis acontecem. Enquanto não houver risco real para quem pratica, vai continuar compensando. E hoje, quem paga essa conta são mulheres mortas. Isso não é exagero. é o cenário atual. E já passou da hora de tratar isso como urgência política — não como debate de internet.





Amanda Beatrice

Oraculista

Apresentadora

Colunista

Mãe

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