IFSUL Pelotas: Mais Uma Sensação de Impunidade
Chega de relativizar o inaceitável!
O caso envolvendo estudantes do Instituto Federal Sul Rio Grandense (IFSUL), em Pelotas, expõe mais do que um episódio de machismo: revela um sistema que ainda relativiza a violência simbólica contra mulheres dentro de espaços que deveriam ser, antes de tudo, seguros e formadores de cidadania.
A criação e circulação de uma “lista” por alunos, avaliando e objetificando alunas com base em critérios degradantes, não é brincadeira, tampouco “coisa de jovens”. É violência. É a naturalização de uma cultura que transforma mulheres em objetos de julgamento público, alimentando uma lógica perigosa que, em muitos casos, evolui para agressões ainda mais graves. Não se trata apenas de palavras — trata-se de estruturas.
O que mais revolta não é apenas o ato em si, mas a recorrente sensação de impunidade. Casos como este frequentemente terminam em notas de repúdio, promessas de investigação, suspensão no máximo e, ao fim, punições brandas ou inexistentes. A mensagem que fica é clara: pode-se ferir, expor e constranger — desde que depois se peça desculpas formais. Isso não é justiça. Isso é conivência institucional disfarçada de protocolo. Estes alunos deveriam ser expulsos da Instituição.
Relativizar esse tipo de comportamento é compactuar com ele. Quantas vezes ainda será necessário repetir que esse comportamento não é mais aceitável? Que o impacto psicológico, social e emocional nas vítimas é real e profundo? Em uma sociedade onde o Brasil ainda enfrenta índices alarmantes de violência contra a mulher, minimizar episódios como esse é contribuir para a manutenção do problema.
É urgente que instituições como o IFSUL deixem de agir apenas quando a repercussão se torna inevitável. A educação precisa ser ativa na desconstrução dessas práticas — com medidas concretas, punições exemplares e, principalmente, formação crítica contínua. Não basta reagir: é preciso prevenir.
O que está em jogo não é apenas a reputação de uma instituição, mas o tipo de sociedade que estamos dispostos a construir. Ou enfrentamos essas atitudes com firmeza, ou seguiremos formando gerações que confundem violência com “brincadeira” — e justiça com silêncio.
Chega de relativizar o inaceitável!
Jeff Soares

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