Três anos sem Sulivan Mello: Um Silêncio Que Ecoa na Música de Pelotas
Saudades de ti, Mestre!
Há três anos, em 26 de março de 2023, a cidade de Pelotas se despedia de um de seus talentos mais sensíveis e autênticos: o guitarrista e compositor Sulivan Mello. Desde então, o tempo não diminuiu a ausência — apenas a transformou em memória viva, presente em cada acorde, em cada palco e em cada músico que, direta ou indiretamente, foi atravessado por sua arte.
Sulivan não era apenas um instrumentista técnico. Sua guitarra carregava emoção, identidade e um senso quase íntimo de narrativa musical. Quem o viu tocar lembra da entrega: olhos fechados, corpo entregue ao som e uma conexão visceral com o público. Sua guitarra não era apenas ouvida — era sentida.

Sulivan Mello, Diego Schneider e Jeff Soares em 2022
Na cena independente pelotense, Sulivan teve papel fundamental. Seja em bandas, projetos autorais ou colaborações, ajudou a moldar um ambiente criativo que valorizava a experimentação e a verdade artística. Sua influência ultrapassava o palco: estava também nas conversas, nos ensaios e no incentivo a novos músicos que encontravam nele não só um artista, mas um parceiro generoso.
Três anos depois, seu legado permanece pulsante. Em estúdios caseiros, bares, festivais e encontros musicais, há sempre um traço de sua presença — seja em um solo que remete ao seu estilo ou na coragem de fazer música com autenticidade.

A saudade de Sulivan Mello gigantesca para mim; o reconheço como um dos meus heróis da música. Jamais esquecerei nossas conversas profundas, sobre ser aquilo que se é de verdade. Sobre os solos do Ritchie Blackmore e o swing do Santana. Sua passagem na minha vida, embora breve, foi intensa o suficiente para deixar marcas profundas. E enquanto houver música em Pelotas, haverá um pouco dele ecoando — como um solo que nunca termina completamente. Ele foi um ser de luz.
Jeff Soares

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