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Ensaios sobre Estar Viva #6 : “não me sinto bem” - Quando Pedir Ajuda?

[...] Pedir ajuda não é só quando tu pensa em desistir de tudo...

Ensaios sobre Estar Viva #6 :  “não me sinto bem” - Quando Pedir Ajuda?
Imagem Internet/Unsplash

Aprendi na marra que o ideal é não esperar o fundo do poço. A gente aprendeu errado que pedir ajuda é fracasso. Que tem que dar conta, que tem que ser forte, que tem que aguentar. Principalmente sendo mãe. Principalmente quando todo mundo espera que tu ame aquilo o tempo todo.


Mas a verdade é mais crua: tem dias que cansa de um jeito que não é só físico. É um cansaço de dentro, que pesa no pensamento. Quando começa a vir aquelas perguntas silenciosas:

“o que eu fiz da minha vida?”, “era isso mesmo?”, “por que tá tão difícil pra mim?”. Isso já é sinal.


Não é frescura. Não é fraqueza. Não é ingratidão. É limite.


Maternidade não devia ser sinônimo de solidão. Mas muitas vezes é. Tu tá cercada de gente e mesmo assim se sente sozinha dentro da própria cabeça. Tentando dar conta de tudo, enquanto alguma coisa dentro de ti vai ficando cada vez mais apertada.


Pedir ajuda não é só quando tu pensa em desistir de tudo. É antes disso.


É quando tu percebe que tá irritada o tempo todo. Quando a paciência some mais rápido do que volta. Quando o choro vem do nada ou nem vem mais. Quando tu começa a se desconectar de ti mesma. É quando a vida começa a perder cor.


Pedir ajuda pode ser falar. Pode ser chorar na frente de alguém. Pode ser admitir “eu não tô bem”. Pode ser procurar um profissional. Pode ser aceitar que tu não precisa dar conta sozinha. Porque tu não precisa. Ser mãe não te obriga a se abandonar. Quanto antes tu pede ajuda, menos tu se perde de ti.


E toda mãe merece continuar existindo pra além da maternidade.






Amanda Beatrice

Oraculista

Apresentadora

Colunista

Mãe

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