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Alunos Estão Desaprendendo A Pensar?

[...] nunca foi tão desafiador formar indivíduos capazes de pensar de forma crítica, autônoma e profunda.

Alunos Estão Desaprendendo A Pensar?
Imagem Internet/Pixabay

Vivemos um momento inédito na história da educação. Nunca tivemos tanto acesso à informação — e, paradoxalmente, nunca foi tão desafiador formar indivíduos capazes de pensar de forma crítica, autônoma e profunda. Como psicopedagoga clínica e orientadora parental, observo diariamente um fenômeno inquietante: crianças e adolescentes cada vez mais rápidos para encontrar respostas, mas cada vez menos dispostos — e, muitas vezes, menos capazes — de sustentar perguntas.


A popularização de ferramentas como inteligência artificial, buscadores e conteúdos prontos transformou a forma como aprendemos. Hoje, a dúvida não gera necessariamente um processo investigativo; ela é rapidamente silenciada por uma resposta imediata. O problema não está na tecnologia em si, mas na forma como ela vem sendo utilizada: como atalho, e não como apoio. Pensar exige tempo, desconforto, tentativa e erro — elementos que estão sendo progressivamente evitados.


No consultório, é comum encontrar crianças que demonstram grande dificuldade em elaborar raciocínios próprios. Elas esperam instruções claras, respostas diretas e validação constante. Quando confrontadas com situações abertas ou perguntas mais complexas, muitas entram em ansiedade ou simplesmente desistem. Isso revela não uma falta de capacidade, mas uma falta de treino. Pensar, afinal, também se aprende — e precisa ser estimulado.


Outro ponto crítico é o impacto desse comportamento no desenvolvimento emocional. Quando o sujeito não confia na própria capacidade de pensar, ele tende a se tornar mais dependente, inseguro e vulnerável. A autonomia intelectual está diretamente ligada à autonomia emocional. Uma criança que não é encorajada a refletir, questionar e construir suas próprias conclusões dificilmente se tornará um adulto seguro de si.


As famílias, muitas vezes sem perceber, também reforçam esse padrão. Na tentativa de ajudar, antecipam respostas, resolvem problemas rapidamente e evitam frustrações. No entanto, é justamente no espaço da dúvida e do desafio que o pensamento se desenvolve. Permitir que a criança pense, erre e tente novamente é um dos maiores investimentos que se pode fazer em seu desenvolvimento.


A escola, por sua vez, enfrenta o enorme desafio de competir com a velocidade e a atratividade das respostas prontas. Isso exige uma mudança de postura: mais do que transmitir conteúdo, é preciso provocar reflexão. Perguntas abertas, debates, resolução de problemas reais e incentivo à argumentação são caminhos possíveis para resgatar o protagonismo do aluno no processo de aprendizagem.


Não se trata de demonizar a tecnologia, mas de posicioná-la. Precisamos ensinar nossas crianças a usar essas ferramentas de forma consciente, como suporte para aprofundar o pensamento — e não para substituí-lo. A pergunta que fica não é apenas se os alunos estão desaprendendo a pensar, mas se nós, adultos, estamos realmente ensinando como fazê-lo.






Alessandra Prebianca


Psicopedagoga Clínica, Orientadora Parental 

Especialista em Desenvolvimento Infantil


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