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Além do Amor aos Animais: O Valor da Sanidade e da Remuneração

[...] Infelizmente, a nossa profissão é uma das que mais desenvolve Síndrome de Burnout...

Além do Amor aos Animais: O Valor da Sanidade e da Remuneração
Imagem Internet/Unsplash

​Eu estava reparando, nessa minha vivência de mais de 20 anos de jaleco, que a gente muitas vezes carrega um peso que não é nosso, e o corpo cobra o preço em forma de cortisol e exaustão. Essa semana vivi algo que me deixou desconfortável e me fez refletir sobre como a nossa mente é um campo de batalha silencioso, onde a gente luta contra a expectativa dos outros enquanto tenta manter a nossa própria sanidade.


Na minha caminhada, aprendi que a Medicina Veterinária não é só sobre salvar vidas, é sobre equilibrar uma carga emocional que, se a gente não cuidar, nos consome por dentro. É uma frustração química, entende? O cérebro entende o diagnóstico, visualiza o caminho da cura, mas muitas vezes somos limitados pela falta de recursos ou pela resistência de quem deveria ser nosso maior aliado.


​Manter minhas sessões de terapia com o Roger há mais de cinco anos tem sido o meu divisor de águas energético e hormonal. Foi através desse processo que consegui desconstruir a ideia de que sou culpada pela enfermidade dos meus pacientes. A doença é um processo biológico e eu sou a ferramenta de auxílio, não a causa. O Roger me fez enxergar que o grau de responsabilidade final está no tutor; eu ofereço a ciência e a técnica, mas o compromisso com o cuidado pertence a quem detém a guarda daquele ser.


Infelizmente, a nossa profissão é uma das que mais desenvolve Síndrome de Burnout e índices de suicídio, justamente por essa pressão externa e pela ideia distorcida de que o nosso amor aos animais deve anular a nossa necessidade de remuneração.


​Quando a sociedade tenta transferir a responsabilidade total para o veterinário ou nos limita financeiramente, ela ignora que a nossa dedicação precisa de recursos para ser exercida de forma ideal. Achar que não precisamos ser valorizados através do nosso trabalho é um desequilíbrio que adoece o profissional e baixa a nossa frequência. Hoje, entendo que cuidar da minha mente é o que me permite continuar cuidando dos meus pacientes sem me perder no caminho. Afinal, uma mulher bem resolvida sabe que, para transbordar cura, a própria taça precisa estar cheia e a mente em paz.






Edna Loreto

Médica Veterinária

Colunista 

Apresentadora

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