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Por que Às Pessoas Escolhem Ser Versões Editadas de Si Mesmas?

Não, não estamos falando de fotos editadas por I.A

Por que Às Pessoas Escolhem Ser Versões Editadas de Si Mesmas?
Por que Às Pessoas Escolhem Ser Versões Editadas de Si Mesmas? (Foto: Reprodução)

Há uma inquietação silenciosa por trás dessa pergunta. Se ser verdadeiro parece tão simples — quase instintivo — por que tantas pessoas escolhem versões editadas de si mesmas?


Talvez porque a sinceridade, na prática, não seja leve. Ser real implica risco. Risco de rejeição, de julgamento, de não pertencimento. Desde cedo, muita gente aprende que certas partes de si são “demais”, “erradas” ou “inconvenientes”. E, pouco a pouco, vai moldando a própria identidade como quem ajusta uma roupa: apertando aqui, escondendo ali, até caber no olhar do outro. O problema é que, nesse processo, a pessoa pode até ser aceita — mas não exatamente por quem é.


Existe também um componente social forte. Vivemos em um ambiente que recompensa a performance. Não apenas no trabalho, mas nas relações, nas redes, nas conversas cotidianas. Há sempre uma expectativa implícita de coerência, sucesso e controle. Mostrar dúvida, fragilidade ou contradição ainda é visto, muitas vezes, como fraqueza. Então as pessoas aprendem a representar. E quanto mais praticam, mais fácil se torna separar o personagem da pessoa, basta observar as atitudes.


Mas há algo ainda mais profundo: ser sincero exige autoconhecimento. E se conhecer de verdade não é confortável. Envolve encarar incoerências, reconhecer falhas, admitir desejos que nem sempre são bonitos. Nem todo mundo está disposto — ou preparado — para esse tipo de confronto interno. Às vezes, é mais fácil sustentar uma versão superficial de si mesmo do que lidar com a complexidade que existe por baixo da pele.


Isso não significa que as pessoas sejam falsas por essência, mas elas podem acabar se tornando, ao acreditar na própria mentira, ou ainda, que às máscaras jamais vão cair. A máscara não é só um disfarce — às vezes é também um escudo. Mas, o problema é que, com o tempo, o escudo vira prisão. Porque relações construídas sobre versões inventadas dificilmente alcançam profundidade real. E, no fim, sobra uma sensação estranha: estar cercado de gente, mas não de gente sincera.


Ser real, então, não é apenas uma escolha moral. É um ato de coragem. Talvez por isso seja tão raro — e tão necessário. Mas nem todo mundo tem a coragem necessária para pagar o preço da verdade.






Jeff Soares

Jornalismo

Músico

Apresentador

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