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Presidente, Indique Uma Mulher Preta

Será que a extrema direita seria tão abominável de negar isso também?

Presidente, Indique Uma Mulher Preta
Imagem Chat Gpt

A indicação de uma mulher preta ao Supremo Tribunal Federal por Luiz Inácio Lula da Silva representaria mais do que uma escolha política: mas um passo concreto na direção de um país que começa, ainda que tardiamente, a se reconhecer em suas próprias instituições. Durante décadas, o STF foi composto por perfis bastante semelhantes — homens, em sua grande maioria brancos, oriundos de trajetórias tradicionais do Direito. Essa homogeneidade nunca foi neutra. Ela molda visões de mundo, influencia interpretações e, inevitavelmente, limita o alcance de experiências consideradas no momento de julgar questões que afetam milhões de brasileiros.


A chegada de uma mulher negra à mais alta Corte do país romperia esse ciclo. Não como um gesto simbólico vazio, mas como a incorporação de uma vivência que historicamente esteve à margem dos espaços de poder. Seria uma forma de ampliar o olhar da Justiça, de enriquecer o debate jurídico e de fortalecer a legitimidade institucional diante de uma sociedade diversa e plural. Há, no Brasil, uma geração consistente de juristas negras altamente qualificadas, com produção acadêmica sólida, atuação relevante e profundo conhecimento das estruturas legais e constitucionais. Reconhecer essas trajetórias não é concessão — é mérito. E é também um avanço civilizatório, pois sinaliza que o acesso aos espaços mais altos do Judiciário não está mais restrito a um perfil único.


Do ponto de vista democrático, a representatividade importa. Não porque substitui critérios técnicos, mas porque os complementa. Instituições mais diversas tendem a ser mais sensíveis às múltiplas realidades do país, mais abertas ao diálogo e mais capazes de produzir decisões que dialoguem com a complexidade social brasileira.


A presença de uma mulher negra no STF também carrega um impacto simbólico poderoso. Para milhões de meninas e mulheres negras, ver alguém semelhante ocupando um dos cargos mais altos da República é uma afirmação concreta de possibilidade. É a quebra de um ciclo histórico de exclusão que, por muito tempo, pareceu intransponível. Em um país marcado por desigualdades profundas, cada avanço institucional dessa natureza tem um peso que vai além da política do momento. Ele ajuda a redesenhar o futuro. E, nesse sentido, a indicação de uma mulher negra ao STF não é apenas positiva — é necessária, legítima e alinhada com o ideal de uma democracia que, enfim, começaria a incluir todos os seus rostos.


Será que a extrema direita seria tão abominável de negar isso também? Seria um bom termômetro para mostrar os reais interesses dessa gente que sai dos boeiros, e nem estou falando dos ratos, esses são mais limpos que alguns que habitam Brasília.






Jeff Soares

Jornalismo

Músico

Apresentador

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