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O Fim da Jornada 6x1 como Marco da Emancipação Feminina

[...] Não se trata apenas de "folgar mais", mas de redistribuir o tempo de vida de forma que o trabalho remunerado não anule a existência, a luta e o autocuidado das mulheres.

O Fim da Jornada 6x1 como Marco da Emancipação Feminina
Imagem Chat Gpt

A jornada de trabalho 6x1 é um dos resquícios mais arcaicos de uma estrutura produtiva que ignora a vida fora da empresa. Para a classe trabalhadora em geral, ela representa exaustão; para as mulheres, ela é o mecanismo que torna a múltipla jornada um ciclo de adoecimento quase inevitável.


Quando falamos do fim da jornada 6x1, falamos de devolver às mulheres o direito ao tempo. No modelo atual, o único dia de folga é integralmente consumido pelo trabalho doméstico acumulado: lavar, passar, limpar e organizar a semana. Por exemplo, uma trabalhadora de um determinado setor de serviços que folga apenas aos domingos. Esse dia, que deveria ser de descanso, é utilizado para a logística da casa e o cuidado com os filhos, impossibilitando qualquer momento de lazer.


Como professora, é possível observar que a presença qualitativa dos responsáveis na vida escolar dos filhos é diretamente proporcional ao tempo de descanso. Pais e mães submetidos ao 6x1 raramente conseguem participar de reuniões pedagógicas ou do cotidiano escolar, o que fragiliza o vínculo entre família e escola pública. A transição para o 5x2 ou 4x3 permite que a educação seja, de fato, um processo compartilhado.


O fim da jornada 6x1 também é uma estratégia de segurança pública. Mulheres que possuem mais tempo livre conseguem: acessar serviços de assistência social e jurídica em horários comerciais; construir redes de solidariedade com outras mulheres.; desenvolver autonomia financeira através de cursos de qualificação que hoje não cabem na agenda.


A luta pelo fim da escala 6x1 deve ser central na agenda do feminismo interseccional e das políticas para mulheres. Não se trata apenas de "folgar mais", mas de redistribuir o tempo de vida de forma que o trabalho remunerado não anule a existência, a luta e o autocuidado das mulheres.


A redução da jornada é, em última análise, um ato de justiça com quem sustenta a base da pirâmide social e a economia do cuidado.







Roberta Luzzardi


Educadora, Defensora do Feminismo Interseccional,

da Agroecologia e da Educação Pública

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