Rio Grande do Sul – 33 Feminicídios
Onde estão as políticas efetivas Governador?
O Rio Grande do Sul chegou, nas últimas semanas, a um marco alarmante: o 33º caso de feminicídio registrado em 2026. O número reforça uma escalada da violência de gênero no estado e reacende o debate sobre a eficácia — e a ausência — de políticas públicas mais amplas de prevenção.
Dados discutidos em audiências públicas e manifestações legislativas já indicavam um cenário crítico desde o início do ano. Apenas nos dois primeiros meses de 2026, mais de 20 mulheres haviam sido assassinadas em contextos de violência de gênero, apontando um crescimento expressivo em relação ao ano anterior. A progressão até o 33º caso, portanto, não representa um episódio isolado, mas a continuidade de uma curva ascendente que preocupa autoridades e movimentos sociais.
O feminicídio — tipificado no Brasil como o assassinato de mulheres por razões de gênero — é entendido não apenas como crime individual, mas como expressão de desigualdades estruturais e relações de poder historicamente construídas. Nesse contexto, o aumento dos casos está diretamente ligado à persistência do machismo, à violência doméstica e à insuficiência de mecanismos preventivos.
Um dos pontos mais criticados por parlamentares e entidades é a não adesão do estado ao Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, instituído pelo governo federal para integrar ações entre União, estados e municípios. O pacto prevê estratégias coordenadas de prevenção, proteção às vítimas e responsabilização de agressores. A ausência do Rio Grande do Sul nessa articulação enfraquece a rede de enfrentamento.
Em manifestações públicas, representantes políticos destacaram que a não adesão não é apenas uma decisão administrativa, mas uma escolha com impacto direto na vida das mulheres. Segundo avaliações apresentadas em câmaras municipais e debates públicos, a falta de integração com políticas nacionais dificulta o acesso a recursos, a implementação de programas estruturados e a construção de respostas mais eficazes diante da violência.
Por outro lado, o governo estadual afirma que mantém políticas próprias de enfrentamento à violência de gênero, como delegacias especializadas, patrulhas de proteção e medidas protetivas, além de ações integradas em áreas como segurança, saúde e assistência social. Ainda assim, o próprio Executivo reconhece que os números seguem em alta e que os esforços atuais não têm sido suficientes para conter a escalada.
O avanço dos feminicídios no estado expõe uma contradição central: embora existam instrumentos legais e políticas já estruturadas, a violência continua crescendo. Isso levanta uma questão mais profunda sobre a necessidade da articulação nacional e do enfrentamento do problema em sua raiz — que envolve cultura, educação, proteção social e responsabilização efetiva.
O 33º caso, simboliza uma crise contínua. Cada registro representa uma vida interrompida e uma falha coletiva em proteger mulheres em situação de vulnerabilidade. Em meio a esse cenário, cresce a pressão para que o estado reavalie sua posição em relação ao pacto nacional e amplie suas estratégias de prevenção, sob o risco de ver a estatística seguir avançando — e com ela, a tragédia cotidiana da violência de gênero.
Jeff Soares

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