O Vôo de Lilian
[...] vivi grandes amores, mas lembrei de um deles...
Agora a pouco, no grupo da Rádio, na miscelânea de assuntos, parei um pouquinho pra pensar nas relações humanas, nos gestos, nas predisposições e nos caminhos que a gente percorre para chegar até aqui. A maturidade muitas vezes nos joga em frente ao espelho, identificando rugas, reavaliando promessas, calçando posições, discussões, paixões, sem deixar de mostrar que é preciso mais que brilho para encararmos o andor, um trajeto nem sempre fácil, mas sempre florido, para quem viveu um grande amor.
Vivi grandes amores, mas lembrei de um deles, lembrei de Lilian, de saber como ela está, nunca mais a vi desde o nosso único encontro após a tentativa de relacionamento não ter dado certo, isso uns dois anos depois lá por volta de 2016. Bateu saudades, eu confesso. Não porque haja algum sentimento mal resolvido, não, nada disso, mas porque este amor foi muito importante pra mim.
Conheci a Lili em um show da Antidotto Base, foi amor à primeira vista, me vi completamente apaixonado por uma menina que eu nem sabia o nome. Lembro que para perguntar o nome foi difícil, eu tinha vergonha (risos), nisso foram alguns meses de espera, pois ela já tinha um compromisso, para que depois eu me declarasse. Tudo parecia fluir, ela era a menina perfeita, inteligente, bonita, simples, gostava de Guns n' Roses, era quem eu havia sonhado por muito tempo.

Mas não fluiu, a vida nos colocou em caminhos diferentes, por motivos que até hoje não sabemos. Sofri muito com isso, foi um período de muita dor, lembro de minhas cartas desesperadas, do silêncio recebido, a minha incapacidade de entender o fim de um ciclo, tudo isso mudou minha vida para sempre, me fez amadurecer e entender que é impossível gostar de alguém e querer uma relação sozinho e ainda mais, quem ama de verdade não prende. Liliam voou.
O mais legal de tudo isso é que tenho absoluta certeza de que Lili foi um dos grandes amores da minha vida, aquele amor, sabe. Aquele que está na prateleira das coisas mais importantes que a gente viveu. Não guardo mágoas por ter sido preterido, pelo sofrimento que vivi, pois hoje entendo que a minha falta de preparo me fez cair em ciclos dolorosos, Lilian sempre foi honesta comigo. Por isso, guardo às poesias, às canções, às risadas e o último poema que lhe escrevi nas ruas de Pelotas, depois de sair da mesa daquele bar.
Pragmático,
a mesa do bar,
a cadeira quebrada,
o abraço frente à banca de discos,
a cerveja e a água que não se misturam...
Quem sou eu? Quem era você?
São dois anos depois,
São dois seres depois,
São duas histórias de novo,
Foi um amor de outra vida que tive,
Uma era.
Transformou-se em borboletas,
Para colorir o filme
Que nós dois vamos filmar...
Essa é vida,
Que bom te reencontrar...
Não teve choro,
Mas vergonha,
E teve riso
Foi com pressa,
Foi...
Até a próxima vez,
Até breve,
Dona Poesia.
De ti Lilian só guardo as coisas boas, foi bom ter te encontrado nesta vida, mesmo que por um período curto de tempo, espero que estejas bem, livre e radiante como sempre te vi. Continuo te amando, mas de uma forma bem diferente, amo - te como amo um amigo, como a poesia, a canção, como uma estrela.
por
Jeff Soares

Músico
Jornalista
Web Designer
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