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Eleições 2026: Porque o Voto em Mulheres com Pautas Feministas é a Chave para a Democracia

[...] Votar em uma mulher feminista e interseccional em 2026 não é um "favor" ou uma escolha baseada apenas em identidade, mas sim uma escolha política por um Brasil que pare de ignorar as bases que sustentam o país.

Eleições 2026: Porque o Voto em Mulheres com Pautas Feministas é a Chave para a Democracia
Eleições 2026: Porque o Voto em Mulheres com Pautas Feministas é a Chave para a Democracia (Foto: Reprodução)

Nas próximas eleições, o povo gaúcho terá uma missão fundamental. Vamos escolher nossos representantes para seis cargos decisivos: Presidente, Governador/a, Deputado/a Federal, Deputado/a Estadual e 2 Senadores/as. A nossa prioridade deve ser sempre ampliar a voz feminina na política. No entanto, o mais importante é garantir que as cadeiras do poder sejam ocupadas por quem, de fato, defende os direitos das mulheres.


Mesmo na ausência de uma candidatura feminina em quem você se sinta confortável em votar, o seu voto não pode ser silencioso. Escolha homens que sejam aliados reais e que carreguem pautas feministas em seus programas de governo.


Embora as mulheres representem 52% do eleitorado, a composição do Congresso Nacional e das Assembleias Legislativas ainda não reflete essa maioria. Mas a questão não é apenas numérica; é sobre quem essas mulheres representam e quais projetos de país elas carregam. Votar em mulheres com pautas feministas e um recorte interseccional é, acima de tudo, uma estratégia de sobrevivência democrática e de justiça social.


O conceito de interseccionalidade, aberto pela teórica Kimberlé Crenshaw, nos ensina que as opressões não operam de forma isolada. Uma mulher negra, por exemplo, não vive o machismo e o racismo como eventos separados; eles se fundem em uma experiência única de exclusão. Ao falarmos de 2026, a interseccionalidade exige que olhemos para a raça, etnia, classe social e identidade de gênero. Afinal, uma política que serve apenas para a mulher branca e de elite não é uma política feminista completa; o feminismo real deve ser para todas, contemplando mulheres indígenas, periféricas, trans e trabalhadoras.


Existe um equívoco comum de que "votar em mulher", por si só, basta. No entanto, a representatividade meramente descritiva (corpo de mulher) sem a representatividade substantiva (pautas comprometidas com os direitos das mulheres) pode ser uma armadilha. Candidatas comprometidas com o feminismo lutam por temas que estruturam a vida de toda a sociedade, como a economia do cuidado (reconhecimento do trabalho doméstico e ampliação de creches), a saúde reprodutiva, o combate à violência de gênero e a igualdade salarial.


Para o cenário de 2026, novas regras do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) buscam suavizar barreiras históricas, mas os desafios persistem. A violência política, agora potencializada por deepfakes e inteligência artificial, tenta silenciar vozes femininas. Além disso, a fiscalização sobre o financiamento de campanhas é crucial para garantir que os recursos cheguem de fato às candidatas negras e indígenas, evitando as chamadas "candidaturas laranja".


Votar em uma mulher feminista e interseccional em 2026 não é um "favor" ou uma escolha baseada apenas em identidade, mas sim uma escolha política por um Brasil que pare de ignorar as bases que sustentam o país. Quando uma mulher negra ou indígena chega ao poder, ela traz consigo demandas de saneamento, educação, segurança e preservação ambiental que o topo da pirâmide muitas vezes escolhe não ver. Que em 2026, o nosso voto seja o espelho da diversidade que move o Brasil.







Roberta Luzzardi


Educadora. Defensora do Feminismo Interseccional,

da Agroecologia e da Educação Pública

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