Estamos Preparados Para Uma Emergência?
O que deveria levar minutos, levou quase uma hora!
Hoje, enquanto cumpria mais um dia comum de trabalho, vivi uma situação que, infelizmente, está longe de ser incomum — mas que nunca deveria ser normalizada. Um colega passou mal. Em poucos instantes, ficou claro que não se tratava de algo simples: era uma crise alérgica, potencialmente grave. Felizmente, tenho treinamento e consegui reconhecer os sinais rapidamente. Mas o que veio depois expõe um problema muito maior do que aquele episódio isolado.
O socorro demorou 46 minutos.
Em emergências como essa, o tempo não é apenas um detalhe — ele é o fator decisivo entre a recuperação e o agravamento do quadro. Em casos mais severos, minutos podem significar a diferença entre a vida e a morte. Ainda assim, seguimos convivendo com uma realidade onde o atendimento de urgência, que deveria ser ágil e eficiente, frequentemente falha em cumprir seu papel mais básico: chegar a tempo.
Essa não é uma crítica vazia aos profissionais de resgate — que, na maioria das vezes, trabalham sob condições extremamente limitadas —, mas sim a um sistema que não consegue garantir o mínimo necessário para situações críticas. Falta estrutura, faltam recursos, falta organização. E quem paga essa conta são as pessoas comuns, em momentos de absoluta vulnerabilidade.
Mas há um ponto ainda mais urgente nessa discussão: a preparação dos próprios ambientes.
Quantos locais de trabalho, escolas, academias ou estabelecimentos comerciais estão realmente prontos para lidar com uma emergência? Quantos possuem protocolos claros, equipes treinadas e acesso a recursos básicos de primeiros socorros? A resposta, na maioria dos casos, é desconfortável.
A verdade é simples: quando o socorro externo demora, a responsabilidade recai sobre quem está presente. E isso exige preparo.
Ter ao menos uma pessoa treinada em primeiros socorros não deveria ser um diferencial — deveria ser o mínimo. Ter um plano de ação definido, saber quem acionar, como agir e quais recursos utilizar precisa fazer parte da rotina, não ser improvisado no desespero.
O que vivi hoje não foi um caso isolado. É reflexo de uma realidade maior, que se repete silenciosamente em diversos lugares todos os dias. E enquanto continuarmos tratando essas falhas como exceções, elas continuarão acontecendo.
Emergências não avisam. E quando acontecem, não há tempo para aprender — apenas para agir.
A pergunta que fica é: estamos realmente preparados?
Ninha Sousa

Colunista
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