Reflexões sobre a força Feminina
E eu me pergunto, onde está em mim aquela menina que sempre me orgulhei de ser?
08/09/2024 19:56
Em meus estudos sobre programação neolinguística, cheguei no capítulo sobre a força feminina e a força masculina. Não tem nada a haver com a opção sexual. Mas tem tudo de como nós encaramos a vida, principalmente nós mulheres. Muitas vezes temos que nos valer de usar carapuças e nos tornar supermulheres, para lutar contra a velha tendência de uma sociedade dominantemente masculina.
Nos vestimos de força e garra e fingimos o tempo todo ser inabaláveis, insensíveis, inatingíveis. Coordenamos trabalhos e nossas vidas, resolvemos problemas e determinamos o nosso destino. E o que ganhamos com isso? As vezes um vazio tão grande que quase nos consome. O que adianta ser assim?

E eu me pergunto, onde está em mim aquela menina que sempre me orgulhei de ser? A mocinha sonhadora que gosta de carinho, chocolate, flores e bichinhos de pelúcia? A mesma que acorda chorando sozinha com medo de trovão e chuva, ou que se emociona por qualquer elogio e demonstração de afeto? Onde vive agora a mocinha que adora sorriso, colos e abraços?
Descobri que ela nunca saiu de mim, até é visível nos meus cabelos presos cheios de acessórios, na bancada do meu quarto, em meio a minha coleção de bichinhos de pelúcia, na coleção de canecas e nas minhas camisetas de desenho animado!
Sei que por tudo que já passamos e do medo de sofrer novamente, por nossas decisões pensadas no dia a dia, vestimos armaduras pesadas para camuflar o quanto somos frágeis. Mas será que vale a pena carregar tanto peso? O que estou ganhando não demonstrando o que realmente sou e sinto? Vale a pena não se deixar viver para carregar as camadas de metal tão pesadas?
Então eu, Edna, aos 45 anos decidi que aquela menina que adorava usar rosa, receber flores, chocolates, delicada e com fragilidade vai renascer! Se me machucar, beleza, conviver com a dor também é uma condição de sobrevivência e aprendizado. Outro dia sempre nasce. O não viver é que não está valendo a pena!
por
Edna Loreto

Médica Veterinária
Escritora
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