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Por Que Choramos pela Seleção, Mas Ignoramos o Sofrimento Emocional das Crianças?

[...] quando o assunto é o sofrimento emocional das crianças, essa mesma sensibilidade parece desaparecer no cotidiano.

Por Que Choramos pela Seleção, Mas Ignoramos o Sofrimento Emocional das Crianças?
Imagem Chat Gpt

Choramos, vibramos e nos emocionamos profundamente com cada jogo da seleção brasileira. A Copa do Mundo mobiliza o país inteiro, desperta empatia coletiva, une desconhecidos em torno de uma mesma emoção. Mas, quando o assunto é o sofrimento emocional das crianças, essa mesma sensibilidade parece desaparecer no cotidiano. A pergunta que fica é: por que somos tão intensos para sentir o futebol e tão silenciosos para escutar a infância?


Existe uma capacidade emocional coletiva muito forte quando o tema é esporte. A derrota da seleção é vivida como se fosse pessoal, o gol é comemorado como conquista própria. No entanto, essa mesma entrega emocional raramente aparece quando uma criança demonstra sinais de sofrimento na escola, na família ou no comportamento. O que nos mobiliza em massa parece não se traduzir para o que está mais próximo da nossa realidade.


No ambiente escolar e familiar, ainda é comum que emoções infantis sejam minimizadas. Frases como “isso é frescura”, “é fase” ou “ele é assim mesmo” acabam substituindo a escuta real. Enquanto isso, a criança vai comunicando, do seu jeito, aquilo que não consegue elaborar em palavras: ansiedade, frustração, medo, sobrecarga. Mas nem sempre há quem pare para realmente observar.


A contradição fica ainda mais evidente quando pensamos no quanto a sociedade valoriza o desempenho. Na Copa, o erro faz parte do jogo, o atleta é apoiado mesmo após falhas. Já na infância, o erro muitas vezes é motivo de punição, comparação ou cobrança excessiva. Isso revela uma incoerência emocional: acolhemos o adulto em falha pública, mas exigimos perfeição da criança em formação.


É preciso compreender que o sofrimento emocional infantil não é barulho — muitas vezes é silêncio. Ele aparece em irritabilidade, isolamento, queda no rendimento, desmotivação ou até sintomas físicos. Quando esses sinais são ignorados, perde-se a oportunidade de intervenção precoce e de construção de saúde emocional.


Como profissional da educação e do desenvolvimento infantil, defendo que escutar uma criança não é romantizar comportamentos, mas reconhecer que existe comunicação emocional em cada atitude. A infância não precisa ser “forte o tempo todo”; ela precisa ser compreendida, acolhida e orientada com responsabilidade.


Se somos capazes de parar o país para viver a emoção de um jogo, também deveríamos ser capazes de parar por um instante para olhar para dentro de casa e da escola. Porque, diferente da Copa, o jogo da infância não tem replay — e cada silêncio ignorado pode custar muito no futuro emocional de uma criança.







Alessandra Prebianca 


Pedagoga - Psicopedagoga Clínica e Orientadora Parental 

Especialista em Desenvolvimento Infantil 

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