Misantropia no Brasil Ou Ataque dos Marcianos?
A nova tragicomédia brasileira!
Confesso que ando preocupado com os misantropos.
Para quem não sabe, misantropia é aquela velha e nada simpática tendência de desconfiar da humanidade. Não chega a ser exatamente odiar todas as pessoas, mas é olhar para o comportamento humano e pensar: "É sério que essa espécie dominou o planeta?"
Outro dia, sentado frente a janela, assistindo ao UOL News e às discussões infinitas das redes sociais, comecei a imaginar o que pensariam os grandes vilões dos tokusatsu japoneses ao observarem a Terra e o Brasil neste momento.
Imaginem o Império Gozma, de Changeman, preparando sua uma invasão. O comandante Giluke envia uma frota intergaláctica após décadas de planejamento.
— Soldados, os humanos estão reagindo?
— Sim.
— Estão organizando a defesa planetária?
— Não exatamente. Estão discutindo na internet se a invasão é culpa da esquerda, do bolsonarismo ou da macumba.
A frota inteira ficaria em silêncio.
O mesmo aconteceria com Dr. Keflen aquele cientista do mal de Flashman. Após atravessar galáxias, reunir amostras de seres e criar monstros, gastando uma fortuna em combustível espacial, descobrindo que a maior ameaça ao Brasil não são seus soldados, mas as fake news da extrema direita.
Já Satan Goss, de Jaspion, provavelmente desistiria da conquista logo na primeira semana.
— Senhor, detectamos uma possível invasão hacker.
— Jaspion está no Brasil?
— Bem... sim! Quer dizer, não! Na verdade, eles estão tentando reiniciar o modem.
— E o Daileon?
— Senhor, a Terra já tem outro Imperador, ou pelo menos, ele se acha um.
Porque o problema do Brasil não é a falta de inimigos. Inimigos nós temos alguns. O problema é a nossa extraordinária capacidade de criar confusão pedindo ajuda externa.
Enquanto isso, imaginemos um cenário ainda mais absurdo: uma suposta ofensiva dos Estados Unidos contra o Brasil, com Trump chegando em seu ‘dark horse’.
Os radares detectam movimentações. Os operadores entram em alerta. Os computadores piscam. Uma tela trava. Outra reinicia. Um técnico sugere desligar e ligar novamente. Um estagiário pergunta se já tentaram atualizar o antivírus.
Enquanto isso, um hacker adolescente, sentado em algum quarto bagunçado do planeta, tenta adivinhar a senha do sistema.
Primeira tentativa: "Brasil123". Acesso negado.
Segunda tentativa: "Brasil1234". Acesso negado.
Terceira tentativa: "SenhaBrasil2026". O sistema responde:
— Bem-vindo, administrador.
Nesse momento, o hacker fica tão assustado quanto os próprios responsáveis pela segurança.
Talvez seja aí que nasce a misantropia. Não nas grandes tragédias, nem nas invasões espaciais, nem nas ameaças internacionais. Ela nasce quando percebemos que, diante de monstros gigantes, naves interestelares, ataques cibernéticos e crises globais, a humanidade continua sendo a única espécie capaz de transformar qualquer situação em uma reunião de condomínio.
No fim das contas, Gozma, La Deus e Satan Goss provavelmente abandonariam seus planos de conquista, menos o “Clã Bolsonaro”, óbvio.
Não por medo dos heróis ou anti-heróis. Não por respeito às Forças Armadas. Nem pela eficiência dos sistemas de defesa. Mas porque, ao estudar o País por alguns dias, concluiriam que este lugar já está sendo administrado por uma força muito mais imprevisível do que qualquer império do mal.
Os próprios brasileiros usando Inteligência Artificial.
E, convenhamos, para um conquistador intergaláctico, isso já é problema suficiente. Menos para os “bolsonaro” que queriam conquistar o país a base de cloroquina e golpe.
Editor de “Brasil” chega, nos dê uma folga. Muita coisa pra administra.
Jeff Soares

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