PF mira Banco Digimais em Operação que Amplia Escândalo Financeiro e Aproxima caso de Edir Macedo do “Caso Master”
Operação Miragem
A Polícia Federal deflagrou na última terça-feira (23) a Operação Miragem, que investiga um suposto esquema de fraude financeira envolvendo o Banco Digimais, instituição controlada pelo empresário e líder religioso Edir Macedo. A ação representa mais um capítulo da crescente crise que cerca o sistema financeiro nacional após a explosão do escândalo do Banco Master e suas ramificações políticas e econômicas.
Segundo a investigação, relatórios analisados pela PF e pelo Banco Central apontam indícios de manipulação contábil destinada a esconder um rombo bilionário nas contas da instituição. Os investigadores suspeitam que fundos de investimento teriam sido utilizados para retirar ativos problemáticos dos balanços oficiais do banco, criando uma aparência de solidez financeira que não corresponderia à realidade.
A Justiça Federal autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão e o bloqueio de até R$ 670 milhões em bens de investigados ligados ao caso. Entre os alvos da operação estão dirigentes do banco e pessoas consideradas estratégicas para a administração da instituição.
O que chama a atenção dos investigadores é a semelhança entre as práticas atribuídas ao Digimais e aquelas que levaram ao colapso do Banco Master, cujo controlador, Daniel Vorcaro, tornou-se o centro de uma das maiores investigações financeiras já realizadas no país. Em ambos os casos, as suspeitas envolvem a utilização de estruturas financeiras complexas para ocultar prejuízos, inflar ativos e manter artificialmente a confiança do mercado.
A investigação também ocorre em um momento delicado para o Digimais. Nos últimos meses, reportagens já haviam apontado questionamentos de auditores independentes sobre fundos ligados à instituição, além de operações que teriam produzido valorizações consideradas incomuns por especialistas do mercado financeiro. Críticos apontam que as suspeitas envolvendo o Digimais indicam que os problemas revelados pelo escândalo do Banco Master podem não ser um episódio isolado, mas parte de fragilidades regulatórias que permitiram a proliferação de mecanismos financeiros pouco transparentes.
O Digimais afirmou, por meio de nota, que continua operando normalmente e que está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários. A instituição nega irregularidades e sustenta que suas operações seguem os padrões legais e regulatórios exigidos pelo sistema financeiro.
Enquanto as investigações avançam, a Operação Miragem amplia a lista de personagens e instituições atingidas pela onda de apurações iniciada após o colapso do Banco Master. O que antes parecia um caso isolado envolvendo um único banqueiro passa a revelar possíveis conexões, práticas semelhantes e um cenário que preocupa reguladores, investidores e correntistas em todo o país.
Jeff Soares

Jornalismo
Músico
Apresentador
Comentários (0)