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A Copa do Mundo Também é dos Influenciadores?

O jogo mudou dentro e fora de campo!

A Copa do Mundo Também é dos Influenciadores?
Montagem/Redes

Durante décadas, a Copa do Mundo FIFA foi um evento dominado por emissoras de televisão, jornais e rádios. Eram os narradores, comentaristas e repórteres que decidiam quais histórias chegariam ao público. Hoje, porém, basta abrir qualquer rede social para perceber que o jogo mudou. A Copa continua sendo disputada por 22 jogadores dentro de campo, mas, fora dele, milhões de pessoas acompanham a competição através dos olhos de criadores de conteúdo.


A ascensão das personalidades da internet transformou completamente a maneira como consumimos o maior evento esportivo do planeta. O que antes era resumido aos 90 minutos de partida agora se estende por vlogs, podcasts, transmissões ao vivo, bastidores, memes, entrevistas descontraídas e reações em tempo real. A Copa deixou de ser apenas um campeonato de futebol para se tornar um grande acontecimento digital.


Essa mudança não aconteceu por acaso. Ela acompanha a forma como uma nova geração consome informação. Os jovens, principalmente, já não dependem exclusivamente da televisão para acompanhar uma partida. Muitos assistem ao jogo enquanto comentam em redes sociais, acompanham lives de influenciadores e recebem análises quase instantaneamente. Em muitos casos, o conteúdo produzido por um criador de internet chega antes da reportagem tradicional.


Mais do que comentar os resultados, os influenciadores ajudam a humanizar o evento. Eles mostram os bastidores das cidades-sede, experimentam comidas típicas, registram a cultura local, apresentam curiosidades sobre os países participantes e aproximam o público de uma experiência que antes parecia distante. Para quem não consegue viajar até a Copa, acompanhar um criador de conteúdo pode ser a sensação mais próxima de estar vivendo aquele ambiente.


Essa influência também alcançou os próprios atletas. Hoje, jogadores chegam à Copa já acostumados a produzir conteúdo para suas redes sociais. Muitos gravam vídeos dos treinos, mostram momentos de descontração com companheiros de equipe e compartilham aspectos da rotina que dificilmente apareceriam em uma entrevista coletiva. O torcedor deixa de conhecer apenas o jogador e passa a conhecer a pessoa por trás da camisa.


Ao mesmo tempo, as marcas perceberam rapidamente essa transformação. Se antes os grandes investimentos publicitários estavam concentrados apenas nas transmissões oficiais, hoje uma parcela significativa do orçamento é destinada aos criadores digitais. Um vídeo espontâneo gravado por um influenciador pode alcançar milhões de visualizações em poucas horas e gerar um nível de engajamento que muitas campanhas tradicionais dificilmente conseguem reproduzir.


No Brasil, essa relação é ainda mais evidente. O futebol faz parte da identidade nacional, e a internet potencializou essa paixão. Humoristas, jornalistas independentes, streamers, ex-jogadores e influenciadores especializados transformaram suas coberturas em verdadeiros programas de entretenimento. Há quem acompanhe uma partida assistindo simultaneamente às reações do seu criador favorito, buscando uma experiência mais descontraída e próxima do cotidiano.


Entretanto, essa nova dinâmica também levanta questionamentos importantes.


A velocidade das redes sociais favorece a circulação de informações sem verificação. Durante uma Copa do Mundo, rumores sobre escalações, lesões, bastidores e até supostos conflitos entre jogadores podem ganhar enorme repercussão antes mesmo de serem confirmados. Nesse cenário, a responsabilidade dos influenciadores cresce na mesma proporção que sua audiência.


Outro desafio é a busca constante por engajamento. Em um ambiente onde cliques significam relevância, algumas coberturas acabam priorizando polêmicas em detrimento do próprio esporte. Discussões sobre roupas, festas, rivalidades fabricadas e declarações retiradas de contexto, muitas vezes, ocupam mais espaço do que análises táticas ou histórias inspiradoras dos atletas.


Também existe uma questão sobre quem ganha visibilidade durante o torneio. Grandes influenciadores costumam receber credenciais, convites exclusivos e acesso privilegiado a eventos patrocinados, enquanto jornalistas independentes e veículos menores enfrentam dificuldades para competir por espaço. Isso provoca uma mudança significativa na forma como a informação é distribuída e consumida.


Por outro lado, seria injusto enxergar esse fenômeno apenas como um problema. A presença de criadores digitais também democratizou a cobertura esportiva. Hoje é possível acompanhar a Copa por diferentes perspectivas: a do jornalista especializado, a do torcedor comum, a da mulher apaixonada por futebol, a do influenciador de humor, a do criador que fala sobre moda, gastronomia ou turismo. O evento tornou-se mais diverso e plural.


Essa pluralidade também ampliou a representatividade. Criadores negros, mulheres, pessoas LGBTQIA+, comunicadores periféricos e produtores independentes passaram a ocupar espaços historicamente restritos aos grandes grupos de comunicação. Suas narrativas ajudam a construir uma Copa mais próxima da diversidade do público que a acompanha.


Além disso, os influenciadores têm desempenhado um papel importante na valorização das culturas locais. Em vez de mostrar apenas os estádios e os grandes cartões-postais, muitos exploram mercados populares, bairros históricos, artistas de rua, pequenos empreendedores e manifestações culturais que normalmente ficam fora das transmissões esportivas. A Copa deixa de ser apenas um torneio e passa a ser uma janela para o mundo.


Ainda assim, é importante lembrar que influência também significa responsabilidade. Uma opinião publicada para milhões de seguidores pode afetar a reputação de atletas, estimular discursos de ódio ou disseminar desinformação. Em um ambiente tão conectado, o compromisso com a verdade torna-se tão importante quanto a criatividade.


Talvez a maior mudança provocada pelas personalidades da internet seja justamente essa: elas deixaram de ser apenas espectadoras para se tornarem protagonistas da narrativa da Copa do Mundo. Hoje, a competição não acontece apenas nos gramados, mas também nas telas dos celulares, nos cortes de vídeo, nas transmissões ao vivo e nos comentários que viralizam em poucos minutos.


No fim das contas, a influência digital não diminui a grandeza da Copa; ela redefine a forma como a vivemos. O futebol continua sendo o centro de tudo, mas as histórias ao redor dele nunca foram tão numerosas, tão acessíveis e tão compartilhadas. A Copa do Mundo segue sendo uma celebração do esporte, mas agora também é um retrato da era da conectividade, onde qualquer pessoa com um celular, criatividade e uma boa história para contar pode ajudar a construir a memória de um dos maiores eventos do planeta.






Ninha Sousa

Colunista 

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