Terremoto na Venezuela: Número de mortos chega a 1.450
Buscas entram em fase crítica, até o momento estima-se 50 mil desaparecidos!
A Venezuela enfrenta uma das maiores tragédias naturais de sua história recente após os dois terremotos que atingiram o norte do país na noite de 24 de junho. Segundo o balanço mais atualizado divulgado neste último domingo (28), pelo menos 1.450 pessoas morreram, mais de 3.100 ficaram feridas e 50 mil continuam desaparecidas, enquanto as equipes de resgate travam uma corrida contra o tempo para encontrar sobreviventes sob os escombros.
Os dois tremores, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreram com menos de um minuto de intervalo e tiveram epicentro próximo à região de Morón, a cerca de 160 quilômetros de Caracas. A força dos abalos provocou o colapso de centenas de edifícios e destruiu parte da infraestrutura urbana em estados como La Guaira, Miranda, Aragua, Carabobo e Falcón.
La Guaira transformou-se no símbolo da devastação. Ruas inteiras desapareceram sob montanhas de concreto, milhares de famílias perderam suas casas e os serviços de energia, telecomunicações e abastecimento de água seguem parcialmente comprometidos. Autoridades venezuelanas classificaram a região como zona de desastre humanitário e mantêm restrições de acesso para facilitar as operações de salvamento.
As buscas entraram agora em uma etapa considerada decisiva. Especialistas alertam que as chances de encontrar pessoas com vida diminuem drasticamente após as primeiras 72 horas, embora histórias de sobrevivência ainda alimentem a esperança da população. Nas últimas horas, equipes conseguiram resgatar dezenas de pessoas, incluindo crianças que permaneceram presas sob os escombros durante vários dias.

Foto: Federico Parra/AFP
Mais de 2.600 profissionais estrangeiros de resgate, provenientes de pelo menos dez países, já atuam no território venezuelano. Brasil, México, Estados Unidos, França e outras nações enviaram especialistas, equipamentos e ajuda humanitária para reforçar as operações. Organizações internacionais também iniciaram campanhas emergenciais para atender os milhares de desabrigados espalhados por abrigos temporários.
As Nações Unidas estimam que os prejuízos econômicos possam ultrapassar US$ 6 bilhões, valor equivalente a cerca de 6% do Produto Interno Bruto venezuelano. O impacto ocorre em um momento delicado para o país, que ainda enfrenta dificuldades econômicas e sociais acumuladas ao longo dos últimos anos, ampliando os desafios para a reconstrução das áreas afetadas.
A tragédia também mobilizou líderes religiosos e autoridades internacionais. O papa Leão XIV manifestou solidariedade às vítimas e pediu uma corrente global de apoio humanitário, destacando o sofrimento das famílias que perderam parentes, casas e meios de subsistência.
Enquanto as sirenes continuam ecoando nas cidades atingidas, a Venezuela vive dias de luto, incerteza e resistência. O país enfrenta agora não apenas a tarefa de salvar vidas, mas também o desafio monumental de reconstruir comunidades inteiras devastadas por um dos mais violentos terremotos registrados em sua história contemporânea.
Jeff Soares

Jornalismo
Músico
Apresentador
Comentários (0)