Morre Michel, compositor de “O Descobridor dos Sete Mares”, clássico eternizado por Tim Maia
"Quero ficar bem à vontade Na verdade, eu sou assim Descobridor dos sete mares Navegar eu quero..."
A música popular brasileira perdeu um de seus grandes criadores. O compositor e publicitário Miguel Leite de Oliveira Neto, conhecido artisticamente como Michel, morreu na última sexta-feira (26), no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela família do artista. Michel enfrentava um tratamento contra câncer e diabetes há mais de uma década e teve o estado de saúde agravado nos últimos meses após sofrer acidentes vasculares cerebrais (AVCs).
Autor de um dos maiores clássicos da música nacional, “O Descobridor dos Sete Mares”, gravada por Tim Maia em 1983, Michel deixou uma marca definitiva na história da MPB. A canção, composta em parceria com Gilson Mendonça, atravessou gerações e tornou-se um símbolo da obra do Síndico, sendo frequentemente executada em festas populares, estádios e celebrações por todo o país.
Embora muitos brasileiros associem a música diretamente a Tim Maia, a genialidade de Michel está na construção poética que transformou praias e paisagens do litoral brasileiro em metáforas de liberdade, sonho e pertencimento. Décadas após o lançamento, a composição continua viva no imaginário coletivo e já recebeu releituras de artistas como Lulu Santos e Diogo Nogueira.
O legado do compositor, entretanto, vai muito além do maior sucesso. Michel também assinou canções como “Pecado Capital”, “Neves e Parques” e “Bons Momentos”, gravadas por Tim Maia, além de “Não Dá”, interpretada pelo grupo Roupa Nova, e “Pudera”, sucesso na voz de Sandra de Sá. Sua obra ajudou a moldar parte importante da música brasileira dos anos 1980 e 1990.
O velório ocorreu no Memorial Parque Nycteroy, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Michel deixa quatro filhos e um patrimônio artístico que permanece vivo na memória afetiva dos brasileiros.
Com sua partida, a MPB perde um compositor discreto, mas fundamental. Um artista que talvez nunca tenha buscado os holofotes, mas que escreveu versos capazes de navegar por décadas e continuar emocionando milhões de pessoas — como verdadeiros descobridores de novos mares.
Jeff Soares

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