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Brasil Eliminado da Copa: Eliminação Dentro e Fora de Campo

Uma Seleção que precisa se reencontrar com seu futebol arte!

Brasil Eliminado da Copa: Eliminação Dentro e Fora de Campo
REUTERS/Carlos Barria

A eliminação da Seleção Brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 para a Noruega escancarou a crise que vai muito além do placar. A derrota por 2 a 1 representa mais um capítulo de uma sequência de frustrações em Mundiais, mas, sobretudo, evidencia um rompimento cada vez maior entre a equipe e o torcedor brasileiro.


Durante décadas, vestir a camisa amarela significava representar um país apaixonado pelo futebol. Os jogadores carregavam nas costas não apenas um uniforme, mas a identidade de milhões de brasileiros que se reconheciam naquele estilo irreverente, criativo e ousado que ficou conhecido mundialmente como "futebol-arte". Hoje, essa conexão parece ter se perdido. 


A geração atual reúne atletas talentosos, protagonistas nos maiores clubes da Europa e donos de contratos milionários. Porém, fora das quatro linhas, muitos parecem mais preocupados em fortalecer suas marcas e imagens pessoais do que em construir uma identidade coletiva com a Seleção. Redes sociais cuidadosamente produzidas, campanhas publicitárias, contratos com casas de apostas e estratégias de marketing ocupam um espaço que, para boa parte da torcida, deveria ser preenchido por liderança, entrega e compromisso com a camisa.


Não há qualquer irregularidade em jogadores fazerem publicidade. O futebol moderno transformou atletas em empresas. Mas existe uma diferença entre administrar uma carreira e transmitir a sensação de que a Seleção virou apenas mais um ativo comercial. Quando o marketing cresce mais do que o vínculo emocional com o torcedor, a imagem inevitavelmente sofre.


Dentro de campo, essa desconexão também apareceu. O Brasil foi um time previsível, burocrático e sem criatividade contra a Noruega. A alegria deu lugar ao cálculo; a ousadia, à cautela; o improviso genial, à circulação estéril da bola.




O torcedor brasileiro sempre soube conviver com derrotas. Perdeu Copas em 1950, 1982, 1998, 2006, 2014, 2018 e 2022. O que torna o momento atual diferente é a sensação de indiferença com a pior campanha da história da Seleção em Mundiais. Muitos brasileiros sequer pararam suas rotinas para acompanhar os jogos. Bares permaneceram vazios, ruas sem bandeiras e o clima de Copa, que antes paralisava o país, deu lugar a uma apatia inédita. Faltou de nossa parte uma indignação.


A CBF - Confederação Brasileira de Futebol precisa assumir definitivamente sua parcela de responsabilidade. Nos últimos anos, a Seleção transformou-se um campo de escândalos e corrupção, disputando amistosos sem desafios reais, aproximando-se de interesses comerciais afastando-se de sua própria torcida e esquecendo de promover um projeto esportivo consistente que resgatasse a identidade do futebol brasileiro.


A derrota para a Noruega não elimina apenas uma equipe de uma Copa do Mundo. Ela simboliza o fracasso de um modelo que privilegiou imagem, negócios e marketing sem conseguir preservar aquilo que sempre diferenciou o Brasil dos demais: a capacidade de transformar futebol em expressão cultural.


Reconectar e reconquistar à torcida será importante. A identificação de um povo com sua Seleção é mais do que necessária, mas enquanto o futebol brasileiro estiver produzindo influenciadores, a camisa mais vitoriosa da história seguirá sem o seu verdadeiro espírito.






Jeff Soares

Jornalismo

Músico

Apresentador

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